sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O amor é estranho. Pode-se dizer que ele é como um ditador, aparece e vai embora quando estiver vontade. Você tenta fechar os olhos para ele, tenta enganar a si mesmo de que não tem nada acontecendo, mas é aí que você percebe que já está acontecendo tudo e que você não quis enxergar. Quando você tenta esquecer alguém, é como se estivesse montando uma pequena casa de palha no meio do nada. Você sai por aí procurando por palhas boas e bonitas até que as encontra. Começa a por em prática todo seu trabalho, experimentando todo o tipo de palha boa que achou e construindo uma coisa nova em cima delas. Chega um momento que você percebe que não falta mais nada, que está tudo sobre controle, que sua casa já está construída, mas é assim que você se engana. Um dia você entra nessa casa e percebe que tinha uma parte vazia, um buraco no fundo dela, que quando estava construindo nem tinha dado importância para aquele local, ele passou e continua passando despercebido e sem importância para você. Até que quando chega perto desse vazio, quando você toca nessa falha, tudo vem ao chão em questão de segundos. Todo o trabalho, todo o tempo que você perdeu foram em vão em apenas um momento. Você começa a se desesperar, fica imóvel diante disso, porque irá dar muito trabalho para reerguer tudo, então você se entrega e se rende a essa perda, deixando todas as palhas boas que encontrou para trás, se deixando levar pela dor novamente. Então você fica com somente uma pergunta na cabeça: Até quando e quantas casas vou precisar reerguer para esquecer isso tudo?
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